O crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas fez com que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passassem a disputar o apoio do candidato que se consolidou como uma das principais forças da terceira via.A declaração de Cury de que poderá apoiar Flávio em um eventual segundo turno aumentou a preocupação no entorno do presidente. O candidato condicionou o apoio à comprovação de que Flávio não teve envolvimento no suposto desvio de recursos para a produção do filme Dark Horse e ao compromisso com seu plano de governo. Cury também afirmou que não apoiaria Lula.O movimento ocorre em um cenário no qual os votos dos candidatos que ficarem pelo caminho podem ser decisivos. Lula lidera o primeiro turno, mas a vantagem desaparece nas simulações de segundo. Leia também BrasilAtlas: Flávio Bolsonaro sobe a 37,4% no 1º turno; Lula mantém 43% BrasilAtlasIntel: 53,8% desaprovam o governo Lula, enquanto 43,7% aprovam BrasilBTG/Nexus: Flávio e Cury ficam à frente de Lula em simulações de 2º turno Flávio encostaNa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na quinta-feira (10/9), Lula aparece com 43% no primeiro turno, contra 37,4% de Flávio. No segundo turno, porém, o senador tem 46,4%, ante 46,2% do petista.Na BTG/Nexus, Lula marca 39% no primeiro turno, contra 35% de Flávio. Cury aparece com 9%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 4% cada. No segundo turno, Flávio registra 46%, contra 45% de Lula.Para Pedro Müller, consultor na Seta Public Affairs, o crescimento de Cury transformou o candidato em uma “reserva de votos” cobiçada pelos dois principais concorrentes. Na avaliação dele, a maior parte dessa reserva tende a favorecer Flávio, já que os nomes da terceira via estão mais próximos da direita.Müller ressalta, porém, que o apoio de Cury não significa transferência automática de votos. “Mesmo que ele apoie abertamente Flávio no segundo turno, garantir que seu eleitor irá de forma homogênea para seu candidato é improvável”, afirma. Leia também BrasilAtlas: Flávio Bolsonaro sobe a 37,4% no 1º turno; Lula mantém 43% BrasilAtlasIntel: 53,8% desaprovam o governo Lula, enquanto 43,7% aprovam BrasilBTG/Nexus: Flávio e Cury ficam à frente de Lula em simulações de 2º turno Terceira viaCury vira alvo de Lula e Flávio: crescimento nas pesquisas coloca candidato da terceira via no centro da disputa pelo segundo turno;Flávio encosta em Lula: pesquisas mostram empate técnico no segundo turno, apesar da vantagem do petista na primeira etapa;Terceira via pode decidir eleição: votos de Cury, Caiado, Zema e Renan Santos são vistos como decisivos, mas transferência não é automática;Rejeição e abstenção preocupam Lula: petista precisará conquistar eleitores fora de sua base e mobilizar o eleitorado para superar Flávio no segundo turno.3 imagensFechar modal.1 de 3Presidente LulaVINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto2 de 3Flávio BolsonaroReprodução/Youtube/Flávio Bolsonaro3 de 3Augusto CuryVINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.fotoTerceira via é desafioO problema para Lula é que Cury não é o único candidato desse campo político com potencial de transferir votos para Flávio. Caiado, Renan Santos e Romeu Zema (Novo) também disputam uma parcela do eleitorado que poderá ser decisiva.Na BTG/Nexus, Lula vence Caiado por 46% a 43%, Zema por 47% a 40% e Renan Santos por 47% a 39%. Contra Cury, entretanto, o petista aparece atrás: 45% a 43%.Para Müller, a eleição de 2022 mostra que Lula não pode contar antecipadamente com os votos dos adversários derrotados. Naquele ano, Simone Tebet (PSB) e Ciro Gomes (PSDB) somaram 7,2% no primeiro turno. Apesar do apoio de Tebet a Lula, Bolsonaro concentrou a maior parte do crescimento líquido dos votos dos dois candidatos entre os turnos.Bolsonaro terminou a eleição com 49,1%, enquanto Lula chegou a 50,9%.Rejeição elevadaO paralelo com 2022 ganha força diante da rejeição dos dois principais candidatos. Na AtlasIntel/Bloomberg, Lula é rejeitado por 52,5% dos eleitores, enquanto Flávio tem 49,6%.“Na situação atual, a tendência é que um ganhe o voto de quem rejeita o outro, levando o cenário para uma situação de resultado próximo, assim como em 2022”, avalia Müller.Para o cientista político, o comportamento do eleitor, entretanto, não segue necessariamente uma lógica ideológica. Em 2022, por exemplo, eleitores de Minas Gerais votaram em Lula para presidente e em Zema para governador.“Alguns eleitores de Caiado que o apoiam por sua idade e experiência podem ver em Lula essas mesmas características que veem no goiano”, afirma.O mesmo pode ocorrer com Cury. Segundo Müller, características de seu eleitorado, como a maior presença feminina, podem favorecer Lula em determinados segmentos. A falta de fidelização também pode levar parte dos eleitores ao voto nulo ou branco.De onde virão os votos?A dificuldade de Lula está em transformar uma eventual liderança no primeiro turno em maioria no segundo. Se chegar à etapa final com cerca de 45%, precisará conquistar mais de 5 pontos percentuais para ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos.Boa parte dessa reserva eleitoral, contudo, está fora de sua base. E, embora a transferência de votos de Cury, Caiado, Zema ou Renan Santos não seja automática, o posicionamento desses candidatos tende a favorecer Flávio.Outro obstáculo é a abstenção. Segundo Müller, parte do eleitorado de Lula tende a deixar de votar no segundo turno, especialmente entre eleitores de menor renda e em locais onde a disputa estadual já estiver definida.Com a máquina política nas mãos, Lula tem uma vantagem que Bolsonaro também possuía em 2022, mas que não foi suficiente para garantir a vitória. Agora, o petista enfrenta um cenário em que Flávio cresce nas simulações de segundo turno e a terceira via está mais inclinada à direita.Para Müller, a campanha petista precisará mobilizar sua base, atrair eleitores menos ideológicos e aproveitar eventuais erros de Flávio.“A campanha de Lula depende de motivar seu eleitorado fiel e titubeante, da falta de fidelização do eleitorado de Cury, da incoerência ideológica do eleitor de outros competidores e de que Flávio Bolsonaro dê escorregões maiores do que os dele ou que Flávio escorregue por último”, afirma.Diante do empate nas pesquisas de segundo turno, o desafio de Lula não será apenas chegar à etapa final, mas encontrar os votos que faltarem para vencer.














