Demétrio Vecchioli

Imagem da matéria: Barreira também derruba PDT e mina acesso da esquerda a fundo eleitoral
Imagem da matéria: Barreira também derruba PDT e mina acesso da esquerda a fundo eleitoral · Imagem: Source: www.metropoles.com

PSol, PDT, Avante e Solidariedade ficaram abaixo da cláusula de barreira nas eleições de 2026

Barreira também derruba PDT e mina acesso da esquerda a fundo eleitoral
Barreira também derruba PDT e mina acesso da esquerda a fundo eleitoral · Imagem: Source: www.metropoles.com

Demétrio Vecchioli

Juliana Brizola, Lula e Carlos Lupi - Metrópoles
Juliana Brizola, Lula e Carlos Lupi - Metrópoles · Imagem: Ricardo Stuckert/PR

05/10/2026 02:00

Barreira também derruba PDT e mina acesso da esquerda a fundo eleitoral
Barreira também derruba PDT e mina acesso da esquerda a fundo eleitoral · Imagem: Source: www.metropoles.com

Ricardo Stuckert/PR

O resultado do primeiro turno das eleições deste ano é uma tragédia para a esquerda em vários aspectos. Um deles, o fracasso da federação PSol/Rede e do PDT em superarem a cláusula de barreira, afetando diretamente o volume de recursos do fundo partidário que pode ser acessado por políticos de esquerda e centro-esquerda. Na direita, até o Novo atingiu o objetivo.

Como a coluna mostrou, a federação PSol/Rede, extremamente dependente do partido de Guilherme Boulos, ficou a 185 votos de superar a cláusula de barreira, já que precisava ter 1,5% dos votos para deputado federal em nove estados e ficou com 1,49% no Espírito Santo.

Já o PDT passou longe: nem superou os 2,5% de votos nacionais para deputado federal (ficou com 1,60%) nem chegou perto do objetivo de fazer 13 deputados federais (elegeu seis). Pela centro-esquerda, só o PSB conseguiu, ainda que tenha tido um desempenho frustrante neste domingo – não elegeu nenhum governador, perdeu com João Campos em Pernambuco, e fez somente três senadores.

A cláusula de barreira também derrubou dois partidos que fizeram parte da coligação que elegeu o presidente Lula em 2022: o Solidariedade (que tem uma federação com o PRD) e o Avante (que lançou Augusto Cury como candidato de centro à Presidência este ano).

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Para o Avante, esse fracasso é inédito, já que o partido tinha acesso ao fundo partidário até este ano. Já Solidariedade (que incorporou o Pros) e PRD (por sua vez uma fusão do PTB com o Patriota) não passaram individualmente a cláusula de barreira em 2022 e se fundiram em uma federação para terem direito a maior verba do fundo eleitoral e a tempo de televisão.

Mas a federação, que na prática agrupava agremiações que até 2023 eram quatro partidos, não chegou a 2% dos votos válidos para deputado federal este ano e novamente não passou a cláusula de barreira, ainda que tenha eleito sete deputados, em seis estados. O Avante elegeu cinco, em três.

No total, apenas dez partidos ou federações superaram a cláusula de barreira, dois a menos do que 2022: PL, PT/PCdoB/PV, PP/União, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, Novo e Cidadania/PSDB. Só a federação do PT pode ser definida como sendo de esquerda e, o PSB, de centro-esquerda. O resto é no mínimo centro. O PSDB, que já foi social democrata, fez 11 deputados em sua federação com o Cidadania.

Como já se esperava, partidos tidos como de extrema esquerda (UP, PCO, PSTU e PCB) tiveram votações irrisórias para a Câmara e não elegeram deputados.