São Paulo, BrasilA pior escolha.É dessa maneira cruel que a maior parte da imprensa gaúcha recebe o novo técnico do Internacional.Desde domingo, seu nome era cogitado.O mais ‘fácil’, disponível.Mas antes, a direção do clube mergulhado na zona do rebaixamento tentou Luiz Zubeldía. Ouviu ‘não. Depois, Jair Ventura. O técnico do Vitória também não quis trocar Salvador por Porto Alegre. O uruguaio Diego Aguirre também não quis nem conversar. Como Mauricio Barbieri.Situação constrangedora.Só depois dos quatro ‘não’, o presidente Alessandro Barcellos, optou por Eduardo Baptista.Mais conhecido por ser filho de Nelsinho Baptisa, ele é um técnico que não conseguiu seguir o caminho vitorioso em grandes clubes, como o pai.Surgiu como uma grande promessa no Sport, em 2014. Mas já no Fluminense, em 2015, mostraria uma característica que o marcou em toda a carreira: a insegurança, falta de convicção tática e firmeza com os atletas.Na Ponte Preta, onde seu pai tinha um passado importante foi bem.A melhor chance desperdiçada foi no Palmeiras. Quando tinha estrutura, dinheiro, jogadores importantes. E foi um retumbante fracasso. Com direito a chilique inesquecível, às portas da sua demissão. Ele foi acusado de escalar Roger Guedes por pressão da direção, do então executivo Alexandre Mattos.Fez um escândalo inesquecível.“Se tem fonte fala! Fala que eu sou maleável, que eu saí de mão dada com o Roger Guedes. E vocês estão falando aqui com um cara sério! Quer questionar a escalação? Quer questionar o meu estilo de jogo? Agora vocês estão atacando o homem!“Sou homem para cara..!“Vocês conhecem a minha família. Eu respeito cada um que vem aqui, os setoristas que vem para o dia a dia. Eu não sou maleável, eu sou um cará sério.”O resultado foi o contrário que esperava. Os gritos, os socos, o palavrão só mostraram um técnico acuado, perdido. E que foi demitido em seguida.Ele se queimou nos grandes clubes de São Paulo e Rio de Janeiro, que nunca mais o contrataram.Do Palmeiras ele foi para o Athletico, Ponte Preta, Coritiba, Sport, Vila Nova, CSA, Mirassol, Remo, Mirassol, Juventude, Atlético Goianiense, Novorizontino e Criciúma.Virou um técnico de Série B.E seu momento atual no Criciúma era péssimo.O time que chegou a liderar a Segunda Divisão vem de uma péssima sequência. E estava ameaçado de demissão.Nos últimos dez jogos, a equipe perdeu seis.De líder, caiu para a sexta colocação.Ou seja, enquanto a direção catarinense pensava em demissão, o Internacional o contrata.A situação ficou ainda mais constrangedora ontem à noite.A imprensa gaúcha já cravava sua contratação.Mas ele negava, após a partida que, de novo o Criciúma teve outro péssimo resultado, perdeu para o Operário, de Ponta Grossa, em casa, por 2 a 0.Em vez de ser demitido, ele ganhou ‘de presente’ o Internacional.A rejeição da torcida, da oposição e de parte até da situação é assustadora.Se esperava um técnico com outro perfil. Vibrante, com currículo vencedor, capaz de mobilizar o abatido, e fraco elenco, assim como as descrentes imprensa e torcida.Mal ele assume, estão programados protestos pela escolha.Para piorar, foi relembrada a frase de seu pai, Nelsinho Baptista.Em 1996, ele estava comandando o Internacional.Recebeu convite do Corinthians.Não pensou duas vezes, abandonou seu trabalho em Porto Alegre.Com salário atrasado, ele não desperdiçou a chance de alfinetar o clube gaúcho.“Estou indo para time grande.”Eduardo Baptista terá de enfrentar essa enorme rejeição.Ele tem a convicção que será demitido sumariamente em dezembro.Fazendo milagre ou não.Nenhum candidato à presidência o quer no comando do Internacional em 2027.Eduardo aceitou pela chance de voltar a ser técnico de um gigante. A perspectiva é péssima.A chance de o Internacional ser rebaixado é enorme.O clube só tem até o final do ano, dez derradeiras partidas do Brasileiro.Está em antepenúltimo lugar.Repetindo dez anos depois, a vergonha de reencontrar a Série B.O presidente Alessandro Barcellos é o grande responsável.Seu trabalho na presidência foi péssimo, amador.O clube deve perto de R$ 1 bilhão.Para pagar salários teve de apelar para a doação de Delcir Sonda, empresário, que cedeu R$ 20 milhões.Sim, ele deu dinheiro para os jogadores.Mesmo com o clube lhe devendo já R$ 60 milhões.E Delcir foi profético.“Se cair de novo vai ser difícil se levantar...”







