Rodrigo da Silva | O que o ódio aos judeus diz sobre quem os odeia

Assista a mais um episódio da coluna 'Fronteiras'. Crédito: Rodrigo da Silva (texto) | Amanda Fleure (apresentação)

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

A Justiça da Argentina indiciou formalmente nesta segunda-feira, 21, sete iranianos e um libanês por sua suposta participação no atentado contra a organização judaica Amia em 1994, em Buenos Aires, no que se torna mais um passo rumo a um possível julgamento à revelia, sem que os réus apresentem defesa.

PUBLICIDADE

Em 18 de julho de 1994, um carro-bomba destruiu a Amia, deixando 85 mortos e 300 feridos. Em 2025, a Justiça abriu a possibilidade de submeter os responsáveis a um “julgamento à revelia”.

“A decisão de cometer o atentado foi tomada em agosto de 1993 pelas mais altas instâncias do regime iraniano e confiada ao Hezbollah”, escreveu o juiz responsável pelo caso, Daniel Rafecas, em comunicado.

Publicidade

Os réus são sete pessoas que ocupavam altos cargos no Estado iraniano na época do ataque e um agente do movimento xiita libanês Hezbollah. Entre eles está Ahmad Vahidi, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, na época comandante da Força Quds.
Outros réus são o então ministro da Inteligência iraniano, Ali Fallahijan; o ex-ministro das Relações Exteriores Ali Velayati e o ex-embaixador iraniano na Argentina, Hadi Soleimanpour. O juiz também impôs a cada um deles penhoras no valor de US$ 500 milhões.
Ataque contra Amia ocorreu em 1994, em Buenos Aires Foto: Reprodução/Amia via Facebook
A decisão aproxima o caso de um eventual julgamento oral. A defesa, porém, ainda pode recorrer da acusação, e outras etapas processuais deverão ser cumpridas antes que o caso possa ser levado a julgamento. “Ainda falta todo um processo”, explicou Rafecas à AFP. O juiz retirou do processo outros dois acusados por falta de provas.
Publicidade
O presidente argentino, Javier Milei, comemorou a decisão nas redes sociais. “A moral como política de Estado!”, escreveu ele, citando uma publicação do ministro da Justiça falando da sentença.
O presidente é um aliado do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que aponta o Irã como responsável pelo atentado. Além disso, Milei classificou o Irã como inimigo da Argentina, e foi durante seu mandato que foi aprovada a lei que permite o julgamento à revelia.
A lei “permitiu avançar no processo penal, mesmo com os acusados foragidos, garantindo o direito deles a um defensor e mantendo todas as demais garantias do devido processo legal”, afirmou Rafecas em seu comunicado.
Publicidade
Leia também
- Briga com o Reino Unido: Milei apresenta projeto de lei para ampliar sanções a empresas nas Malvinas
- The Economist: A experiência liberal de Javier Milei está em dificuldades
- EUA aprovam possível venda de quatro helicópteros militares à Argentina por US$ 140 milhões
Os autores do crime carregaram uma caminhonete com explosivos e a fizeram explodir contra o prédio da organização judaica.
Rafecas classificou o atentado como “crime contra a humanidade, bem como ato de genocídio nos termos do direito internacional”.
Dois anos antes, outro atentado à embaixada de Israel em Buenos Aires havia causado 22 mortes. Rafecas destacou em sua decisão que existe uma possível conexão entre os dois ataques terroristas. / AFP
Publicidade
Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.
Vale ler também
Lourival Sant'Anna
Na ONU, Lula protesta contra projeção de poder de Trump na América Latina
Oliver Stuenkel
Avanço dos houthis no Iêmen encarece o petróleo e pressiona Trump antes das eleições
Lourival Sant'Anna
Quebra de confiança no Judiciário e eleições travam investimentos tecnológicos no Brasil


