Analistas políticos ouvidos pelo Terra explicam fenômenos que ajudaram a colocar o candidato do PL à frente na corrida pela Presidência

5 out 2026 - 04h57

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- Por: Redação Terra

Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar o 2º turno na disputa à presidência; especialistas analisam:

A consolidação dos resultados do 1º turno das eleições, disputado no último domingo, 4, confirmou o quadro que, até então, era projetado pelas pesquisas: um confronto entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República em 2º turno. No pleito, Bolsonaro saiu na frente do petista, com uma vantagem de pouco menos de dois pontos percentuais dos votos válidos e mais de 2,2 milhões de votos totais a mais do que Lula.

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No programa em que o Terra analisou a apuração do 1º turno, analistas políticos destacaram que, além de favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro, o quadro político é puxado pela coesão do eleitorado de direita, pelo fenômeno da 'maioria silenciosa' e por uma expressiva vitória da extrema-direita nas disputas para governos estaduais e para o Congresso Nacional.

A análise parte da comparação do desempenho eleitoral de Lula, que evidencia um teto mais baixo no primeiro turno de 2026 do que nas eleições que o elegeram para seus três mandatos: ante os 45,16% dos votos conquistados neste ano, o petista marcou 46,44% no 1º turno de 2002, 48,61% em 2006, e 48,43% em 2022.

Para Guilherme Mazieiro, jornalista e analista político da Oficina Consultoria, reverter o cenário no segundo turno será uma tarefa politicamente árdua para o atual presidente, facilitando a migração de votos de candidatos como Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), entre outros, a Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro ficou à frente na disputa eleitoral do primeiro turno contra Lula

Foto: ALEXANDRE BRUM/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO / WILDALLY SOUZA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

"Numericamente, ele pode até sugerir que talvez não seja tão difícil que os votos podem ser buscados, mas politicamente é bem difícil para o presidente Lula reverter esse quadro. Impossível não é, a gente sabe que na política acontece de tudo. O recado que está sendo dado é que o eleitor quer trocar. Claro que tem o segundo turno, ainda, mas a gente não consegue projetar um caminho muito fácil", afirma.

"É natural que parte desses votos da 'turma do andar de baixo', do Renan Santos, Zema (Novo), do Caiado, do Augusto Cury (Avante), migrem para o Flávio. Então, ele deve ter um pouco mais de facilidade nessa conta e, politicamente, o desafio me parece ser conseguir levar o eleitor para as urnas", acrescenta.

Assim como Mazieiro, Thathiana Chicrano, cientista política e coordenadora do Curso de Graduação em Sociologia e Política da FESPSP, aborda a abstenção histórica, registrada no 1º turno das eleições de 2026, com um papel decisivo e desfavorável à candidatura do PT, uma vez que o comparecimento às urnas atinge proporcionamente, com maior intensidade, as camadas de menor renda e escolaridade, base histórica de apoio a Lula.

"A abstenção, historicamente, afeta mais os candidatos do PT. Por que isso? Porque as pessoas de mais baixa escolaridade tendem a votar menos. Então, já era sabido que, se tivesse uma abstenção alta ou qualquer nível de abstenção, impactaria mais o percentual de votos do Lula", explica.

"A gente tem observado, desde 2018, um fenômeno que são as 'maiorias silenciosas', que são aquelas que a gente não consegue captar, e portanto é difícil capturar voto, principalmente para Senado", ressalta.

Analista cita impacto da abstenção ao explicar diferença das pesquisas com resultado das urnas:

Outro ponto citado pelos especialistas é o avanço da direita e da extrema direita, que estenderam-se de forma expressiva aos governos Estaduais e às vagas no Poder Legislativo. Um exemplo citado é o Rio de Janeiro, onde o favoritismo inicial de Eduardo Paes (PSD) foi suplantado pelo crescimento de Douglas Ruas (PL), enquanto as duas vagas ao Senado Federal ficaram com Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do Partido Liberal.

"No Rio de Janeiro, o bolsonarismo consegue se articular com forças tradicionais que estão longamente presentes na política local e, com isso, conseguem chegar a impactar a política estadual. A eleição do Senado demonstra isso e além, claro, a eleição do Douglas Ruas demonstra isso muito bem", diz Jorge Chaloub, professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ e colunista da Carta Capital.
"Essa eleição é uma em que a extrema-direita sai muito vitoriosa. A gente já previa, um pouco, que isso ia acontecer, porque o PL tem recursos de fundo partidário e eleitoral muito substantivos. Então, essas eleições com essa avalanche de votos na direita e na extrema-direita, filhos de Bolsonaro, esposa de Bolsonaro, apoiados por Bolsonaro, e com uma máquina do PL muito forte", acrescenta Thathiana.
‘Bolsonarismo está conseguindo hegemonizar a direita’, diz analista sobre eleição de senadores do PL:
Fonte: Portal Terra
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