Política / Eleições 2026

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Newsletter semanal com colunistas do GLOBO analisa se é possível que a disputa ao Palácio do Planalto termine no próximo dia 4

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Colunistas do GLOBO respondem sobre temas eleitorais na nova newsletter 'A pergunta da semana' — Foto: Editoria de Arte

Embora 12 candidatos concorram à Presidência da República, dois nomes protagonizam a corrida e reúnem mais de 70% das intenções de votos, de acordo com as últimas pesquisas: o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ainda antes do início oficial da campanha, quando o petista chegou a abrir vantagem na liderança nos principais levantamentos, o entorno do postulante à reeleição buscava estimular a militância sobre a hipótese de vitória no primeiro turno. Agora, com Flávio encurtando sucessivamente a distância e já aparecendo em situação de empate técnico com o principal rival, são os bolsonaristas que, com o intuito de atrair simpatizantes de outros nomes à direita — Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) —, encampam a defesa do voto útil para tentar encerrar a disputa sem a necessidade de retornar às urnas no fim de outubro.

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Para que isso ocorra, é preciso que um dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos válidos, quando são desconsiderados os nulos e brancos. No Datafolha mais recente, considerando esse índice, Lula tinha a preferência de 43% do eleitorado, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — ambos, portanto, ainda relativamente distantes do objetivo em questão. Qual é, então, a chance real de a eleição presidencial acabar já no primeiro turno?

Esse é o questionamento de hoje da newsletter "Pergunta da semana", na qual jornalistas do GLOBO focados na cobertura política respondem, sempre às quintas-feiras, as principais dúvidas que emergem na disputa eleitoral. Nesta edição, analisam o tema os colunistas Lauro Jardim, Mauricio Moura e Renato Meirelles, além do editor de Política, Thiago Prado.

Confira!

A dez dias da eleição, dá pra dizer que é baixa essa chance. Nas duas vezes em que isso ocorreu, em 1994 e 1998, havia um grau de polarização menor no país e ainda um encantamento popular com a recente estabilização da moeda. Para que tal possibilidade ocorra em 2026, é preciso um grave escorregão de Lula ou Flávio Bolsonaro nesta reta final, que poderia ser uma fala desastrada ou a revelação de algum caso agudo de corrupção envolvendo diretamente um dos dois.

A maior probabilidade é termos um segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. Porém, a possibilidade de a eleição terminar em primeiro turno, na nossa visão, é relevante. Para isso, seria preciso uma onda de “antipetismo de chegada” forte e um aumento da equação de não voto (abstenção, brancos e nulos), o que favoreceria o nome do PL. Há sinais iniciais da presença desses elementos, mas a próxima semana será crítica para a compreensão desse fenômeno.

Hoje, eu diria que a chance existe, mas ainda é baixa. Para a eleição acabar no primeiro turno, não basta Lula ou Flávio crescerem: é preciso que o voto útil esvazie rapidamente as candidaturas menores. As pesquisas mostram os dois muito fortes, e os demais comprimidos, mas ainda há votos suficientes fora dos polos para tornar o segundo turno o cenário mais provável. A disputa só acaba antes se o eleitor começar a votar para impedir, e não para escolher.

Apostaria em dois turnos. Entendo as projeções de aumento da abstenção e de votos nulos diante do desinteresse na eleição manifestado nas pesquisas espontâneas, ainda com muitos indecisos. E compreendo que a campanha por voto útil na reta final possa ter peso. Mesmo assim, acho que Caiado, Cury, Renan e Zema conseguem, somados, garantir que haja um segundo turno, como conseguiram Ciro Gomes e Simone Tebet, em 2022, e Heloísa Helena e Cristovam Buarque, em 2006. Foram as duas eleições polarizadas do século com o pelotão de baixo com desempenho aquém, e que mesmo assim tiveram segundo turno.

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