A temporada 1993–94 foi a 90.a temporada do Sport Lisboa e Benfica e a 60.a temporada consecutiva do clube na Primeira Divisão, o escalão mais alto do futebol português. O clube participou na Primeira Divisão, na Taça de Portugal, na Supertaça e na Taça dos Clubes Vencedores de Taças. A temporada ficou marcada pelos acontecimentos da pré-época, uma vez que o clube fez apenas três contratações, mas mais importante, perdeu o titular Paulo Sousa e o frequentemente utilizado António Pacheco para o rival Sporting via rescisão unilateral, com os jogadores argumentando terem salários não pagos. As expectativas para a temporada eram baixas, uma vez que Sporting e Porto eram considerados os principais candidatos. Após um mau início, uma sequência de seis vitórias permitiu ao clube chegar à primeira colocação na tabela do campeonato. Após uma invencibilidade de 15 jogos no campeonato, uma derrota em Abril com o Salgueiros e um empate em casa frente ao Estrela da Amadora obrigavam a vencer no Estádio José Alvalade para manter a primeira posição; um hat-trick de João Vieira Pinto numa vitória por 6–3, colocou o título a apenas seis pontos, e a 25 de maio, uma vitória sobre o Gil Vicente fechou a corrida pelo título, com o clube conquistando o seu 30o título de campeão nacional.

Resumo da Temporada A temporada de 1993–94, que viu o Benfica celebrar o seu 90o aniversário, começou com um dos períodos mais tumultuosos da história do clube. Durante o verão, Paulo Sousa, João Vieira Pinto e António Pacheco rescindiram unilateralmente os seus contratos, reclamando salários em atraso. Embora João Vieira Pinto ainda tenha voltado atrás na sua decisão, assinando um novo contrato com aumento salarial, Sousa e Pacheco mantiveram a sua decisão, transferindo-se posteriormente para o rival lisboeta, o Sporting. Sousa era frequente titular do Benfica, tendo disputado 35 jogos na época anterior e chegado ao clube com 16 anos. António Pacheco era mais utilizado como suplente, mas ainda assim acumulou mais de 160 jogos no campeonato ao serviço do Benfica. A "traição" dos jogadores e o aumento da tensão entre com os rivais foram rotulados como "Verão Quente de 1993". Com quase nenhuma contratação nova, e tendo perdido Sousa, António Pacheco e Paulo Futre, a equipa liderada por Toni não era vista como favorita na disputa pelo título. A época começou com a Supertaça Cândido de Oliveira de 1993, com uma vitória de cada equipa em ambas mãos, sendo necessário um decisivo terceiro jogo. O Benfica começou o campeoanato com um empate a três bolas, no Clássico, com o Porto no Estádio das Antas, seguidos por mais dois empates, com Estoril e Beira-Mar; ambos os clubes que desempenharam um papel crucial na disputa pelo título da época anterior. A primeira vitória no campeonato, veio no final de setembro, dando inicio a uma série de seis vitórias consecutivas, que ajudaram o clube a subir do oitavo lugar para o primeiro lugar. A 21 de novembro, uma derrota avultada em Setúbal serviu de aviso, com a equipa lisboeta a somar mais cinco vitórias consecutivas, incluindo uma vitória caseira por 2–1 sobre o Sporting, terminando o ano com uma vantagem de três pontos. No primeiro mês de 1994, o clube perdeu pontos frente ao Gil Vicente e foi eliminado da Taça de Portugal pelo Belenenses, mas mesmo assim continuou em primeiro lugar com cinco vitórias consecutivas, incluindo uma vitória caseira por 2–0 sobre o Porto. No início de março, com dois empates consecutivos no campeonato e um empate tirado a ferros, por 4–4, nos quartos de final da Taça das Taças, parecia que o Sporting ultrapassaria o Benfica na disputa pelo título, com a distância agora reduzida a apenas um ponto. Uma derrota frente ao Salgueiros em abril colocou os dois clubes em igualdade pontual, enquanto no cenário europeu, o Benfica foi derrotado pelo Parma nas meias-finais. A 14 de maio, o Benfica entrou no Dérbi de Lisboa com apenas um ponto de vantagem no campeonato, sabendo que uma derrota lhe custaria o primeiro lugar. Com uma das melhores exibições ao serviço do Benfica, João Vieira Pinto marcou um hat-trick que ajudou o clube a vencer por 6–3, terminando a disputa pelo título. Poucos dias depois, fora frente ao Braga, o clube conquistou o seu 30.o título de campeão nacional, festejando com os adeptos no Estádio Primeiro de Maio, com lotação esgotada. Carlos Mozer, titular indiscutível durante a época, narrou os acontecimentos no almanaque do clube: "Conquistamos o título com muita dificuldade, porque o Sporting tinha uma equipa jovem mas boa, enquanto o Porto tinha experiência. No Benfica, o nosso plantel era forte. Havia veteranos como William, Veloso e Isaías, que ensinavam os mais novos, como Rui Costa ou João Pinto; que ainda tinham a vontade e o ritmo para correr o jogo todo. O treinador era o Toni, que eu conhecia desde 1989. O Benfica não começou bem e empatou três jogos consecutivos. Depois, começamos a ganhar de forma horrível. Não jogávamos bem, mas íamos ganhando os jogos, até ao famigerado jogo em Alvalade, o 6–3. Toda a gente dizia que o Sporting ia ganhar, porque tinha uma equipa mais jovem, e nós éramos mais velhos; e por esse motivo, não iríamos suportar um campo difícil. Quando tudo parecia estar a favor deles, nós, com muita calma e experiência, invertemos o jogo com uma grande exibição do João Pinto. Nessa altura, recordo-me também da campanha na Taça das Taças. Chegámos às meias-finais, depois daquele louco 4–4 em Leverkusen. Fomos emparelhados com o Parma, e os italianos eram sempre difíceis. Vencemos no Estádio da Luz, mas lá, em Itália, fui expulso cedo, aos 20 minutos, com dois cartões amarelos. O primeiro foi justo, o segundo não. Se com onze jogadores já era difícil, com menos um, ainda mais difícil era."

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