Mario Sabino

Se Lula não abandonou Alexandre de Moraes, é porque não pode. Até a máfia tem ética

Mario Sabino
17/09/2026 11:00
Igo Estrela/Metrópoles
Lula nunca teve pudor em abandonar pela estrada companheiros encrencados que representavam problemas para ele.
Se não abandonou Alexandre de Moraes, que contamina a sua campanha à reeleição, é porque não pode. Como disse Gilmar Mendes, alto e bom som, até a máfia tem ética.
Os políticos do STF lembraram a Lula que o chefão petista foi solto e se elegeu para um terceiro mandato presidencial graças a eles.
Lembraram ainda que, com um Congresso indomável, Lula só conseguiu ter alguma governabilidade por causa da bancada no Supremo.
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À fatura do passado, acrescentaram cobrança futura. Deixaram claro que a vida do empreendedor Lulinha, mas não só a dele, poderia virar um inferno, caso o chefão petista resolvesse soltar a mão de Moraes. Ele que não se atrevesse.
Como se não fosse suficiente, Lula ouviu a mensagem sibilina que seria o Supremo a vigiar o TSE nestas eleições, se fosse preciso.
A relação é simbiótica: os políticos do STF precisam que Lula seja reeleito para que o Planalto entre com o dinheiro a senadores contra a abertura de processos de impeachment de ministros da Corte.
Eles também querem aumentar a própria bancada no tribunal com os quatro novos ministros que o próximo presidente poderá indicar, e esse objetivo fundamental será alcançado apenas se o chefão petista for reeleito.
Daí o empenho dos políticos do STF em reaproximar Lula e Davi Alcolumbre para que pautas eleitoreiras de ultimíssima hora passassem no Senado.
Votar em Lula, está demonstrado, é votar em Moraes e seus camaradas.


